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A dificuldade de se posicionar, dizer não, assumir desejos e sustentar escolhas tem se tornado cada vez mais comum na vida adulta. Esse comportamento, que muitos confundem com gentileza ou adaptação, é definido pelo psicólogo Fefo Milléo como “bundamolice”, uma epidemia silenciosa que afeta relações, carreiras e a saúde emocional de milhares de pessoas.
Segundo o especialista, a bundamolice não nasce de fraqueza, mas de um processo contínuo de medo, insegurança e autotraição cotidiana. “A pessoa sabe o que quer, mas não sustenta. Sabe o que sente, mas não comunica. Aos poucos, vai derretendo a própria coluna interna para caber no mundo”, explica Fefo Milléo.
O psicólogo aponta que o ciclo da bundamolice costuma se sustentar nos chamados 3I’s, Insegurança, Indecisão e Incapacidade percebida, que mantêm o indivíduo paralisado, sempre adiando posicionamentos e escolhas. Esse padrão aparece com frequência tanto no ambiente profissional quanto nas relações afetivas, gerando ansiedade, ressentimento e sensação constante de inadequação.
Para Fefo, existe um divisor claro entre ser uma pessoa boa e ser uma pessoa bunda mole. “Bondade tem limite, bundamolice não. Quando alguém se anula para evitar conflito, perde respeito, desejo e autoridade. Isso cobra um preço emocional alto”, afirma.
O processo de desbundamolização, segundo ele, começa quando a pessoa percebe que está se traindo em pequenas doses. A virada acontece com o desenvolvimento dos 3A’s, Autoconfiança, Autonomia e Autoridade, competências emocionais que podem e devem ser treinadas. “Não é sobre virar agressivo ou duro, é sobre sustentar quem você é sem pedir desculpa por existir”, reforça.
No trabalho, a bundamolice se manifesta em profissionais que não colocam limites, não se posicionam e evitam decisões, o que compromete carreiras e lideranças. Já na vida amorosa, aparece em relações desequilibradas, onde um cede demais e o outro ocupa espaço demais, gerando desgaste e afastamento emocional.
Autor do livro “Deixe de Ser Bunda Mole”, Fefo Milléo relata que leitores descrevem mudanças profundas após iniciar o processo de enrijecimento emocional. “O que mais escuto é, ‘parei de me abandonar’. Quando a pessoa sustenta a própria verdade, a ansiedade diminui e a vida começa a fazer mais sentido”, conclui.
Serviço: Fefo Milléo | Psicólogo, escritor e palestrante
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