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Com a retomada da rotina após a virada do ano, o calendário de feriados volta ao centro das atenções de empresas e trabalhadores. Em 2026, a distribuição das datas chama a atenção: serão dez feriados nacionais, nove deles em dias úteis, com sete coincidindo com segundas ou sextas-feiras. A configuração cria uma sequência de fins de semana prolongados e coloca o ano entre os mais favoráveis da última década em termos de pausas ao longo do calendário.
O tema ganha relevância em um contexto em que questões como burnout, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e sustentabilidade da performance ocupam espaço crescente nas agendas corporativas. Para especialistas em comportamento organizacional, pausas distribuídas ao longo do ano tendem a produzir efeitos positivos tanto para o bem-estar dos profissionais quanto para o desempenho das organizações.
Pesquisas conduzidas pela Hogan Assessments, que há mais de quatro décadas estuda personalidade e comportamento no ambiente de trabalho, indicam que períodos regulares de recuperação são fundamentais para a manutenção da performance em contextos de alta exigência. A empresa é amplamente utilizada por grandes corporações para embasar decisões relacionadas a liderança, desenvolvimento e gestão de talentos.
Segundo Ryne Sherman, pausas curtas e bem distribuídas não devem ser interpretadas como concessões, mas como parte de uma estratégia de desempenho sustentável. “Do ponto de vista psicológico, descanso e recuperação são essenciais para manter o foco, gerenciar o estresse e sustentar a performance ao longo do tempo. Pausas curtas podem ser tão eficazes quanto períodos mais longos de férias quando o objetivo é prevenir o burnout e fortalecer a resiliência mental”, afirma.
Entre os principais efeitos observados, está a redução do risco de esgotamento profissional. O burnout, segundo os estudos, tende a se desenvolver de forma gradual, à medida que longos períodos de esforço contínuo se acumulam sem pausas significativas. Um calendário que favorece descansos frequentes permite a recuperação emocional antes que o desgaste comprometa a motivação e o engajamento.
Outro ponto destacado é o impacto direto do descanso sobre a produtividade. Evidências reunidas pela Hogan indicam que profissionais bem descansados apresentam maior clareza cognitiva, tomam decisões mais consistentes e mantêm níveis mais elevados de concentração. “O afastamento temporário do trabalho ajuda o cérebro a sair do modo constante de resolução de problemas, o que é essencial para a criatividade e a produtividade sustentável, especialmente em funções intelectualmente exigentes”, explica Sherman.
Além dos efeitos individuais, os feriados também cumprem um papel social relevante. O tempo livre favorece a convivência familiar, a manutenção de vínculos sociais e a recuperação emocional, fatores que influenciam indiretamente o comportamento no ambiente corporativo. Profissionais que conseguem se desconectar de forma efetiva tendem a retornar ao trabalho com maior disposição e capacidade de enfrentamento da pressão cotidiana.
No Brasil, onde avançam discussões sobre novas formas de organizar o trabalho — incluindo o debate em torno da escala 6×1 —, o calendário de 2026 funciona como um teste prático sobre a relação entre descanso e desempenho. Para especialistas, a experiência reforça a percepção de que produtividade de longo prazo está menos associada à extensão da jornada e mais à capacidade das organizações de equilibrar exigência, recuperação e saúde mental.
Mais do que uma concessão aos trabalhadores, a distribuição dos feriados ao longo do ano expõe um ponto central da agenda contemporânea de gestão: ambientes de trabalho sustentáveis dependem de pausas estruturadas, previsibilidade e políticas que reconheçam os limites humanos como parte da estratégia de performance.
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| Atualizado em: 26/01/2026 13:05 | ||