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A possibilidade de usar o Pix no crédito passou a chamar a atenção de consumidores que buscam mais flexibilidade no dia a dia. A modalidade permite que o pagamento seja feito via Pix, mas com o valor lançado no cartão de crédito, funcionando de forma semelhante a um parcelamento ou a uma compra tradicional no cartão.
A novidade tem sido apresentada por bancos e fintechs como uma alternativa para momentos de aperto financeiro. Especialistas, no entanto, alertam que a função exige cuidado, principalmente pelo risco de endividamento. Na prática, o Pix no crédito não é uma operação gratuita. Ao optar por essa forma de pagamento, o consumidor pode pagar juros, taxas adicionais ou encargos semelhantes aos do crédito rotativo ou do parcelamento da fatura, a depender da instituição financeira. As condições variam conforme o banco, o perfil do cliente e o limite disponível no cartão.
Como a operação utiliza o limite do cartão de crédito, os juros seguem as regras desse tipo de pagamento e variam conforme a instituição financeira. As taxas costumam ser semelhantes às cobradas no parcelamento da fatura ou no crédito rotativo, que estão entre as mais altas do mercado. Por isso, o valor final da compra pode ser maior do que o preço original pago via Pix.
No campo regulatório, o Banco Central vem ajustando as regras do Pix para permitir a oferta de funcionalidades ligadas ao crédito, como utilizando o limite do cartão. A autoridade monetária, porém, não estabelece teto para juros nem regula diretamente os custos dessa operação, que é tratada como uma forma de crédito convencional. Na prática, isso significa que taxas, juros e a incidência de encargos, como o IOF, variam conforme a instituição financeira e o perfil do cliente, desde que respeitadas as regras gerais de transparência. O foco do BC tem sido garantir a segurança das transações e acompanhar os riscos de endividamento associados ao uso da ferramenta.
Para Fernando Agra, doutor em economia e economista da Universidade Federal de Juiz de Fora, o Pix no crédito deve ser encarado como uma modalidade de empréstimo, e não como complemento de renda. Segundo ele, apesar da praticidade, a função tende a ter custo elevado e exige atenção redobrada do consumidor. “Toda modalidade de crédito cobra juros. Antes de contratar, é fundamental entender as condições, como número de parcelas, taxas envolvidas e o impacto no orçamento. O Pix no crédito pode ser útil em situações urgentes ou para substituir uma dívida mais cara, como o cheque especial, mas não deve ser usado de forma recorrente”, afirma o consultor.
Apesar dos riscos, a função pode funcionar como um respiro financeiro em situações pontuais, como emergências ou despesas inesperadas. Nesses casos, a recomendação é ter cautela, comparar taxas, verificar se há parcelamento sem juros e avaliar se o valor caberá no orçamento dos meses seguintes.
O uso consciente é fundamental. Antes de optar pelo Pix no crédito, o consumidor deve entender as regras do banco, conferir os encargos cobrados e evitar a modalidade como solução recorrente para falta de dinheiro. Caso contrário, o recurso pode deixar de ser uma ajuda momentânea e se transformar em um desequilíbrio financeiro.
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| Atualizado em: 04/02/2026 14:40 | ||