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A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, foi criticada por entidades da indústria, comércio e sindicatos, que julgam o corte insuficiente para impulsionar o crescimento econômico.
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o movimento é correto, mas não basta para interromper a desaceleração da atividade, destravar investimentos ou aliviar o endividamento das famílias. “Essa cautela do Banco Central ainda é excessiva e seguirá penalizando ainda mais nossa economia”, afirmou o presidente da entidade, Ricardo Alban. A CNI destaca que a inflação acumulada em 12 meses desacelerou, com projeções dentro da meta, e a taxa de juros real permanece elevada, acima do nível neutro, indicando uma política monetária excessivamente restritiva.
No setor de comércio, a Fecomércio-SP avalia que o início do ciclo de queda ocorreu em meio a incertezas internas e externas, limitando a intensidade do corte. “O ciclo de redução da Selic começou, mas a duração e a intensidade dos cortes são cada vez mais incertas”, aponta a federação. A entidade menciona que a inflação de serviços segue pressionada e o cenário internacional, com alta do petróleo devido a conflitos envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, tende a dificultar uma queda mais acelerada dos juros.
A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) concorda com a postura prudente do Banco Central diante desse ambiente. “A desaceleração da atividade econômica acabou pesando mais, justificando uma política monetária menos contracionista, porém cautelosa”, disse o economista Ulisses Ruiz de Gamboa.
Do lado dos trabalhadores, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) considera o corte insuficiente para aliviar o peso das dívidas. “A medida anunciada é insuficiente para reverter esse quadro”, afirmou o economista Gustavo Cavarzan, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A Força Sindical, por sua vez, avalia que o Banco Central acertou ao iniciar o corte, mas errou na intensidade. “Mantendo a Taxa Selic em patamares estratosféricos, o Banco Central irá prejudicar as negociações das categorias nas campanhas salariais nesse primeiro semestre”, ressaltou o presidente da entidade, Miguel Torres.
Apesar do início do ciclo de queda, há consenso entre as entidades de que o ritmo das próximas decisões será determinante. Para indústria, comércio e trabalhadores, uma redução mais intensa dos juros é essencial para reativar o crescimento, estimular investimentos e reduzir o endividamento na economia brasileira.
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